Há trinta e sete anos fiquei sabendo pela revista Pop que o Alice Cooper viria se apresentar no Brasil. Nessa época, eu era super fã dele e vibrei com a oportunidade de poder vê-lo cara a cara. Só que meu pai acabou com toda a minha alegria, dizendo que não havia a menor chance de me deixar ir. Sei lá, talvez porque achasse meio arriscado liberar um guri de dez anos pra viajar sozinho a São Paulo, ver um mega show num ginásio cheio de gente, e, ainda por cima, sendo de um cantor que, convenhamos, não se parecia em nada com um “Mr. Nice Guy”. Mas naquele momento, eu não via as coisas desse jeito, achei que o meu pai estava cometendo uma grande injustiça comigo, e, por um bom tempo, fiquei indigndado com essa “caretice” da parte dele.

Os anos passaram, e, finalmente, chegou o dia em que eu iria realizar o velho sonho da infância. É claro que antes de entrar no Pepsi On Stage eu estava com o receio de que, talvez depois de tanto tempo, pudesse me decepcionar com o que iria assistir. Mas, felizmente, não foi o que aconteceu. Excelente poder ouvi-lo tocar os sucessos que marcaram época, e com uma performance que, mesmo sem poder fazer a comparação com a de 1974, acho que não deixou nada a desejar. Cantou com vontade, energia, como se pra ele o peso da idade não tivesse sido muito significativo. Para completar, na sua banda estava o super guitarrista Steve Hunter, que além de ter gravado os álbuns clássicos do Alice Cooper, também participou de ótimos discos do Lou Reed e de vários outros artistas. Foi um dos caras que me motivou a tocar guitarra, e continua sendo para mim uma grande referência.

Enfim, uma bela noite de rock’n’roll. Com certeza valeu a pena a espera! Amanhã mesmo vou ligar pro meu velho pra dizer: Pai, tu tá perdoado!!!!

 

Justino Vasconcelos especial para Hits Entretenimento

Guitarrista das bandas Garotos da Rua e Caldeira Elétrica

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